Compromisso e Oração da Semana
Neste domingo celebramos o dia de oração pelas vocações. Podemos nos questionar: o que faço pelo bem da comunidade e do Reino de Jesus?
A participação na Eucaristia nos motiva a pôr nossa vida à serviço dos irmãos e irmãs.
BONS E MAUS PASTORES
Jesus se apresenta, no evangelho deste domingo, como o bom pastor. Ora, se há o bom pastor, pode haver também o mau pastor. De fato, encontramos na comunidade e na sociedade bons e maus pastores. Quem é bom e quem é mau pastor?
Jesus é o bom pastor porque conhece seu povo e o povo o conhece. Conhecer, em sentido bíblico, é mais do que apenas a visão intelectual: é uma consciência que cria comunhão de vida, relação pessoal de amor e amizade. Conhecer de verdade as pessoas (ovelhas) implica disposição para pagar o preço de se pôr a seu serviço.
Jesus é o bom pastor porque dá a vida para que o povo a tenha em plenitude. Toda a prática de Jesus foi em favor da vida do povo e dos mais sofridos e abandonados da sociedade. Seu amor para com essas pessoas foi tão grande, que chegou a se sacrificar por elas. Quem ama de verdade é capaz de se doar pela vida do amado, não conhece limites e não foge diante do perigo.
Jesus é o bom pastor porque se preocupa com todos e não apenas com um pequeno grupo. Em muitos momentos ele diz que veio também para outros povos. Jesus não é exclusividade de um único povo. Sua proposta de vida é para todas as pessoas e para todos os povos.
Estão aí três razões que nos falam das características do bom pastor. Todo aquele que se propõe ser bom pastor ou bom dirigente do povo deve buscar em Jesus o modelo.
Infelizmente encontramos também maus pastores ou maus administradores em nossas comunidades e na sociedade. São os mercenários, que se preocupam apenas consigo mesmos; não têm interesse pela vida do povo; buscam o próprio proveito; nas dificuldades, jamais aceitam se sacrificar. O mercenário está interessado no salário e no lucro, e não na vida das ovelhas. Ele instrumentaliza as pessoas para o bem de si mesmo – as vê e valoriza enquanto lhe são “úteis”.
Pe. Nilo Luza, ssp
Liturgia da semana
Desejamos uma boa semana de oração para você
Leia a Bíblia
Ano B – 30 de abril de 2012
João 10,1-10
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor (Jo 10,14).
Comentário do Evangelho
Em complemento ao tema fundamental do Evangelho, que é o dom da vida eterna, João apresenta este tema eclesial: o redil das ovelhas. E versa sobre a responsabilidade dos líderes de comunidades diante da missão de serem testemunhas deste dom da vida eterna. Jesus é a porta para os pastores, e também para as ovelhas. Há aqueles que vêm apenas para roubar, matar e destruir as ovelhas. É uma alusão aos chefes religiosos que se apegam à Lei, ultrapassada, e não recebem Jesus. Trata-se ainda de uma advertência aos fiéis das comunidades para não retornarem as práticas e observâncias tradicionais, das quais foram libertados por Jesus. Quem entrar por Jesus encontrará pastagem, isto é, alimento para a vida. É a vida em abundância, a vida eterna.
Oração
Ó Deus, que, pela humilhação do vosso Filho, reerguestes o mundo dacaído, enchei de santa alegria os vosso filhos e filhas que libertastes da escravidão do pecado e concedei-lhes a felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Ano B – 1 de maio de 2012
João 10,22-30
Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).
Comentário do Evangelho
Durante cada uma das cinco visitas de Jesus a Jerusalém, o evangelista João apresenta longos discursos de Jesus em contestação à doutrina do templo e das sinagogas. As visitas são feitas por ocasião das grandes festas religiosas populares, momento oportuno para proclamar o Reino ao povo. Neste diálogo com os judeus, pode-se perceber uma expressão do conflito entre a sinagoga e as comunidades cristãs, no tempo da redação do texto de João (década de 90). A sinagoga, tentando reencontrar sua rígida identidade, decidira expulsar os judeus que aderiram à fé em Jesus. Procurava demover os cristãos inseguros, alegando-lhes que ele não era o Messias, o Cristo. Contudo, João mostra que a fé em Jesus deve ser mantida tendo em vista as suas obras de amor. As palavras dele ecoam nas comunidades e os discípulos devem segui-lo. É ele quem dá a vida eterna e seu Pai guarda de maneira segura seus discípulos.
Oração
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Ano B – 2 de maio de 2012
João 12,44-50
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terra a luz da vida (Jo 8,12).
Comentário do Evangelho
Estas palavras de Jesus concluem sua longa fala após a entrada gloriosa em Jerusalém. Foi em sua última visita à cidade, na festa de Páscoa. São também as últimas palavras de Jesus em público. Como de costume, João retoma, com novos esclarecimentos, temas já apresentados no seu Evangelho: a unidade com o Pai, que o enviou; crer nele e vê-lo é crer e ver aquele que o enviou; o que Jesus fala é o que o Pai ordenou; Jesus é a luz que brilha nas trevas, é a luz do mundo, já anunciada no Prólogo e retomada no discurso na festa das Tendas; o julgamento não será feito por Jesus, mas sim pela acolhida ou rejeição de suas palavras. Jesus, em união com o Pai, veio comunicar a todos a vida eterna. A participação na vida eterna é opção de cada um. Deus conta com nossa adesão na fé e com nosso dom de amor a serviço da vida, a qual, assumida em Deus, é eterna.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que nos destes em santo Atanásio um exímio defensor da divindade de vosso Filho, concedei-nos, por sua doutrina e proteção, crescer continuamente no vosso conhecimento e no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Ano B – 3 de maio de 2012
João 14,6-14
Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida, diz Jesus; Filipe, quem me vê, igualmente vê meu Pai! (Jo 14,6.9)
Comentário do Evangelho
VER JESUS É VER O PAI
O anseio de ver a Deus face a face é um anseio fundamental, latente no íntimo do ser humano. No entanto, Deus transcende as categorias humanas de tempo e espaço. E isto impossibilita a realização deste desejo. Então, a experiência de Deus transforma-se em experiência do mistério.
Com Jesus, porém, dá-se um passo adiante. Ele foi a revelação de Deus para a humanidade. Por isso, o Pai tornou-se visível na pessoa de Jesus. Tudo o que Jesus dizia e realizava, era feito na mais total sintonia com o Pai. Nada do ser de Jesus escapava da comunhão com o Pai. Por isso, ele podia dizer-se estar totalmente radicado no Pai e o Pai totalmente radicado nele. Jesus tinha consciência de ser instrumento nas mãos do Pai. Suas ações eram ações do Pai, em benefício da humanidade. Suas palavras expressavam o projeto de vida proposto pelo Pai a todas as pessoas.
Esta interação com o Pai é que dava relevância à vida de Jesus e lhe permitia apresentar-se como certeza de salvação. Neste contexto deve também ser entendida a Ressurreição. O Ressuscitado é a presença permanente do Pai junto à comunidade. A vida em comunhão com o Ressuscitado desemboca na comunhão com o Pai. Por sua vez, a comunidade, torna-se transparência de Deus na história humana.
Oração
Senhor Jesus, possa eu experimentar a presença de Deus na vida em comunhão contigo e com minha comunidade de fé.
Ano B – 4 de maio de 2012
João 14,1-6
Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14,6)
Comentário do Evangelho
Após a ceia e o lava-pés, e depois da saída de Judas, Jesus estabelece um diálogo de intimidade com seus discípulos. Ele lhes dirige palavras de esclarecimento, que também lhes proporcionam confiança e segurança. São palavras que penetram fundo no coração e fortalecem nossa fé. Fortaleceram, da mesma forma, a fé dos discípulos, mais tarde, quando começaram a perceber que Jesus continuava vivo entre eles. São palavras que alimentam nossa oração e nossa prática de vida. O amor de Deus e de Jesus para conosco está aí vivamente expresso. Crer em Deus e crer em Jesus é fonte de paz para o coração e para a comunidade. O ir e vir de Jesus não é um percurso entre a terra e o céu. É o percurso da fé, neste mundo, no seguimento de Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida que levam ao Pai. E esta fé comprometida com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, abre espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um. Pelo amor, na partilha e na solidariedade, vivido na missão e nas comunidades, os discípulos são levados por Jesus à comunhão na casa do Pai.
Oração
Deus, a quem devemos a liberdade e a salvação, fazei que possamos viver por vossa graça e encontrar em vós a felicidade eterna, pois nos remistes com o sangue do vosso Filho. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Ano B – 5 de maio de 2012
João 14,7-14
Aleluia, aleluia, aleluia.
Se guardais minha palavra, diz Jesus, realmente vós sereis os meus discípulos (Jo 8,31s).
Comentário do Evangelho
Continuando suas palavras de revelação, Jesus refere-se ao conhecimento do Pai, que não é visual nem intelectual, mas experiência da união no amor. Jesus tem este conhecimento em plenitude. Filipe não entende. Para ele basta “ver” o Pai. Ele ainda não entrou na dinâmica do amor de Jesus. Não percebe que naquele homem estão a presença e o amor divinos. Jesus insiste que as suas obras de amor só podem ser divinas, só podem ser as obras do Pai criador e misericordioso. E é admirável: os discípulos que crerem nele farão obras maiores do que as dele! Os discípulos participam, assim, na obra do Pai, que deseja vida plena para todos. Eles têm a missão de continuar a testemunhar Jesus e o amor do Pai na história. A oração da comunidade, unida a Jesus, é o fundamento da missão.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, fazei-nos viver sempre mais o mistério pascal para que, renovados pelo santo batismo, possamos, por vossa graça, produzir muitos frutos e chegar às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE.
Fonte: Dom Total